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"Primeira ocupação" Oficina Cultural Oswal de Andrade - Bom Retiro - São Paulo/SP
Orientação: Márcia de Moraes e Bruno Moreschi
"PINTURA ORIGINAL" por João Livra
No saguão da Oswald de Andrade, do lado esquerdo, podemos encontrar um trecho de parede reservado, que conserva a “pintura original” do prédio.
Num primeiro olhar, a placa com o aviso: “pintura original” fixada sobre esse campo parece guardar um original, uma pintura histórica sobre tela. Mas, se damos um passo, podemos notar o corte nas camadas de tintas, intercaladas de tempo-pó, que criam uma moldura com a matéria e invadem toda a construção, como uma onda, espessa e amarelada, uma capa, uma grande pele.
Encontra-se nesse local um pedaço da primeira pintura que revestiu a construção, trazendo em seu corpo as informações estéticas da época, insinuando a sua arquitetura pura, aberta.
E o que veio, então, antes dessa pintura?
O que está por vir?
O que revestirá essas paredes? O que a reveste?
Qual seria a camada? O que é camada?
O que é decorativo, intencional, automático?
O que é original, intocável, nítido, invisível?
A pintura? Toda a parede? O aviso no acrílico que convida e inibe o olhar...?
O projeto aqui apresentado surge a partir dessa imagem, criada pela tentativa de preservação da memória do lugar.
Muitos outros registros estão “escondidos” nesse prédio, morando e morrendo na memória do lugar e das pessoas... cabe então um mergulho nessa tinta endurecida e dormente, investigando e registrando...
Novos espaços e manchas são criados, interferindo na arquitetura a partir de um outro olhar sobre novas e antigas memórias.
São 21 pinturas espalhadas pela Oficina, mantendo as dimensões da imagem inspiradora, 27x57,5 cm. Propondo às pessoas uma nova relação com o ambiente, a partir desse “corte criativo” na matéria, podemos olhar através, projetar e imaginar o que virá, evocando a pintura e discutindo as suas formas e limites.
O espaço expositivo, que também serviu de atelier durante toda a produção, recebe um painel com 21 pinturas nas mesmas dimensões. O artista utiliza a tinta da cor atual das paredes, fazendo alusão às “tampas” que foram extraídas, revelaram as novas pinturas e foram transferidas para um novo “lugar”.
Todos os materiais utilizados nas pinturas, ao fim da ocupação, perderão seus postos de “estarem ao alcance do olhar” e receberão mais algumas camadas de tinta, passando a fazer parte da construção, compondo com outros tantos elementos, a história do prédio.
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